sexta-feira, janeiro 16, 2026
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Coluna Zona Franca

Roberto Kuppê (*)

Trump perdeu

Sim. Trump perdeu e Lula venceu (mais uma). Doravante, Lula tem que se preparar para receber o troféu “Chefe de Estado do Ano”, das mãos do perdedor. Não temais, Lula. Trump sentiu e cedeu. Os Estados Unidos perderam muito com o tarifaço contra o Brasil. A pressão foi grande sobre ele. Pior de tudo é ter que engolir em seco o fato de ter sido enganado por Eduardo Bolsonaro. Resta ao chefe de estado dos EUA banir o traidor da Pátria brasileira.

Trump em ‘química’ com Lula

A inesperada demonstração de afeto do presidente americano Donald Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pegou de surpresa tanto a Casa Branca quanto o Planalto. A expectativa entre assessores palacianos e diplomatas era de que Lula e Trump trocassem apenas um frio aperto de mão nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, aberta pelo brasileiro e seguida pelo discurso do americano. Mas o abraço, seguido de um convite para conversar na próxima semana, foi uma demonstração de aproximação muito maior do que esperava o mais otimista dos diplomatas brasileiros. Após o fim do discurso de Trump, funcionários dos dois governos iniciaram imediatamente as negociações para a conversa. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, disse que muito provavelmente Trump e Lula vão conversar por telefone ou videoconferência. Vieira confirmou que Lula enviou um convite para que Trump venha à COP 30 em novembro. O que ele não disse, no entanto, é que o Itamaraty e assessores de Lula preferem que o encontro não seja presencial, por temerem que o presidente americano possa constranger o presidente brasileiro, como fez com os mandatários da Ucrânia e da África do Sul no Salão Oval da Casa Branca. (CNN Brasil)

Trump em ‘química’ com Lula 2

A reação de Trump ao encontrar Lula após o discurso do brasileiro na abertura da Assembleia Geral da ONU surpreendeu também integrantes da diplomacia americana. Eles ficaram ainda mais surpresos ao ouvir o presidente americano elogiando Lula durante seu discurso, de forma improvisada. A porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Robertson, disse que nada disso estava programado. “Foi tudo espontâneo, não estava planejado”, afirmou. (g1)

Trump em ‘química’ com Lula 3

A aproximação entre Trump e Lula, após meses de troca de farpas, acusações e sanções aplicadas por Washington, é resultado também dos esforços de empresários brasileiros e americanos que defendem uma relação mais pragmática entre os dois países. De acordo com interlocutores que trabalham pela reaproximação, empresas como a Embraer e a JBS, que têm operações nos Estados Unidos, ajudaram a abrir o caminho para o abraço desta terça-feira. Eles encontraram apoio no Departamento de Comércio e no Tesouro americano, órgãos preocupados com os impactos do tarifaço imposto ao Brasil na economia dos EUA. (Folha)

O estadista

Na ONU, Lula falou como estadista: defendeu a democracia, a soberania brasileira, condenou o massacre em Gaza e foi aplaudido cinco vezes. Trump, no mesmo palco, improvisou ataques, ironizou a ONU, citou o Brasil com condescendência e reafirmou tarifas duras. Aos 80 anos, a organização virou palco de um contraste histórico entre multilateralismo e autoritarismo, avalia Flávia Tavares na coluna Cá Entre Nós. (YouTube)

O estadista 2

No discurso em que elogiou Lula, Trump não citou uma só vez o nome de Jair Bolsonaro, para desespero dos apoiadores do ex-presidente, que esperavam que as pressões americanas pudessem resultar em uma anistia. Para piorar, nesta terça-feira o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), rejeitou a indicação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para ser o líder da minoria, em mais uma tentativa de salvar o mandato do filho de Jair Bolsonaro. Logo depois, o Conselho de Ética da Câmara instaurou um processo que pode levar à cassação de Eduardo por conta de sua atuação junto a autoridades americanas para sancionar o Brasil e autoridades brasileiras, como o ministro do STF, Alexandre de Moraes. Denunciado pela Procuradoria-Geral da República por coação, Eduardo Bolsonaro segue sendo procurado por oficiais de Justiça para ser intimado. (Globo)

Bolsonaristas sentem o golpe

Apesar do esforço de setores da direita em minimizar o gesto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que fez um aceno público a Luiz Inácio Lula da Silva durante discurso na ONU, a avaliação entre lideranças bolsonaristas é de que o episódio fortaleceu o presidente brasileiro. A informação foi revelada pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo. Segundo aliados de Jair Bolsonaro, Lula conseguiu sair como o grande vencedor do embate com o governo norte-americano ao demonstrar serenidade e firmeza política. Já Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, que vinham articulando sanções contra o Brasil, aparecem como os maiores derrotados nesse cenário. (Do Brasil 247)

Arrebentou o Eduardo

Uma liderança bolsonarista ouvida pela Folha foi categórica: caso Lula avance em um acordo comercial com Trump, “arrebenta de vez o Eduardo”. O raciocínio é de que o presidente brasileiro soube usar a narrativa da perseguição, reforçar o discurso da soberania nacional e se beneficiar do aumento da tensão política nos Estados Unidos.

Ah, coitado

Eduardo Bolsonaro escolheu justamente esta terça-feira, nada auspiciosa para sua família, para declarar que, se seu pai não puder concorrer às eleições de 2026, ele será o candidato à Presidência da República em nome do clã. “Eu sou, na impossibilidade de Jair Bolsonaro, candidato a presidente da República; por isso que o sistema corre e se apressa para tentar me condenar em algum colegiado, que seja na Primeira Turma do STF, para tentar me deixar inelegível”, disse ele, dos Estados Unidos. (Metrópoles)

PEC da Blindagem

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apresentou nesta terça-feira parecer contra a PEC da Blindagem, proposta que condiciona a abertura de processos criminais contra deputados e senadores à autorização do Congresso. No relatório, o parlamentar classificou o texto como inconstitucional e disse que ele abre caminho para a impunidade de políticos eleitos. “A medida que se apresenta como defesa do Parlamento, na verdade mina sua legitimidade, transformando-o em refúgio para criminosos de toda ordem”, escreveu Vieira. A proposta foi aprovada na Câmara e está em análise na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, com votação prevista para hoje. (Estadão)

PEC da Blindagem 2

Senadores da oposição ainda tentam salvar a chamada PEC da Blindagem, que, ao que tudo indica, será enterrada pelo Senado. O senador Sérgio Moro (União Brasil-PR) apresentou uma emenda para alterar o texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), já aprovada na Câmara. A sugestão protocolada por Moro prevê que a Câmara dos Deputados e o Senado só precisariam autorizar investigações quando se tratar de crimes contra a honra ou de acusações relacionadas exclusivamente a opiniões, palavras e votos de parlamentares. (Valor)

Guilherme Boulos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu nomear o deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP) para a Secretaria-Geral da Presidência, em substituição a Márcio Macêdo (PT). A mudança será oficializada após a viagem de Lula aos Estados Unidos, segundo interlocutores do governo. Lula comunicou a decisão a ministros e dirigentes petistas no fim de semana. Macêdo deve deixar o cargo para disputar uma vaga de deputado federal em 2026, com apoio do PT de Sergipe. (Folha)

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

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