quarta-feira, julho 29, 2026
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PENSAMENTO GRÁTIS

Dr. Vinicio Carrilho Martinez

@viníciocarrilhomartinez

Dra. Josana Carla Gomes da Silva – revisora

@josafotos

 

Algumas destas sugestões, orientações – quase tudo – aprendi sofrendo na vida acadêmica. Praticamente, apenas a abertura dos capítulos me foi compartilhada, porém, no final do mestrado. Então, quer dizer que sofri bastante, e sem que fosse necessário aprender sozinho. Por isso, tentarei resumir aqui. É só uma síntese, porque a orientação se dá no dia a dia, num processo. Enumerando fica mais didático:

  1. Cursem todas as disciplinas obrigatórias, o quanto antes.
  2. Façam o exame de proficiência em língua estrangeira, o quanto antes.
  3. Procurem bastante publicações, em periódicos, revistas, sites. O PPGCTS exige uma publicação A1, A2, B1 ou B2, então, tirem essa obrigação o quanto antes. Porém, nada impede que participem publicando em blogs, sites, jornais, portais e outros, pois, além de contribuir para a difusão da ciência (como ato político), ainda recheiam o Lattes. Hoje já não coloco mais no meu Lattes essas publicações, mas é possível contar mais de mil.
  4. Já são ou serão intelectuais e nenhum/a intelectual pode se furtar ao seu dever: produzir pensamento, reflexão séria e combativa ao negacionismo, à falsificação dos ideais e dos pressupostos. E isso se materializa, também, nessas publicações em outros veículos de comunicação – sobretudo, pela primazia atual da Internet e das redes sociais. Comece colocando seu objeto na sua conta do Instagram / Linkedin / ResearchGate.
  5. Conversem constantemente com orientador/a, aprimorando o diálogo acadêmico, pois a empatia será necessária, primordial, na construção daquele Pensamento científico indicado por Morin. Sem empatia, quando ocorrer distanciamento desnecessário, a pesquisa sofre, você sofre. Porque aqui também é fácil ver “como” o Pensamento científico suplanta o tradicional conhecimento científico.
  6. Quanto ao objeto, ninguém saberá melhor do que você, afinal, não é a nossa escolha – a escolha é sua. No entanto, a sugestão é para olhar, ler, ver, sentir o objeto de pesquisa em tudo, seja lá onde você estiver. Por exemplo, já utilizei muito a literatura como referência de apoio, mas também alguns filmes, como O labirinto do fauno, e o Mito do Fauno, de Goethe. Apenas cuide de referenciar corretamente.
  7. Quanto à metodologia: é difícil determinar uma. Em alguns momentos, no TCC, no mestrado, por exemplo, a organização sistematizada evita alguns dissabores – por exemplo, organizando um capítulo por vez. Pense sempre que estará escrevendo corretamente, do ponto de vista lógico, se, em tudo que escrever, houver “começo, meio e fim”. Siga esse roteiro em cada parágrafo escrito.
  8. Pode-se fazer um trabalho rizomático, ensaístico, entre a Ciência e a literatura. Isso dependerá do pensamento e do estilo de cada pessoa: no exemplo aqui, pode-se escrever todos os capítulos ao mesmo tempo. O mais importante é que a metodologia produza um trabalho científico e que não seja uma camisa de força ou violação dos interesses pessoais.
  9. Também cabe a sugestão da economia de tempo e esforços: abra 6 arquivos Word. No primeiro, escreva Introdução: coloque o resumo, a Introdução, o mapa conceitual, se houver. No segundo, intitule Referências: coloque todas que já usou efetivamente e atualize assim que acrescentar uma nova ao seu texto. Nos próximos arquivos, escreva Capítulo I, Capítulo II, Capítulo III, Capítulo IV. Às vezes, muitas vezes, estamos lendo, pensando em algo específico, mas esbarramos em outra coisa, e que pode ser útil, melhor utilizado, em um capítulo diferente do que vínhamos construindo. Vá lá no arquivo específico e deposite. Não se preocupe em alinhar o texto, apenas deposite a informação já com a referência ABNT. Será apenas depósito, a redação virá depois.
  10. Quando fizer um texto, aplique o “método da gaveta”, ou seja, deixe descansar por pelo menos uma semana, antes de fazer a última revisão e aí encontrar suas incongruências.
  11. Comece pelo Resumo, mais breve, direto ao ponto. Depois deixe pronto um resumo expandido – este você utilizará tanto em comunicações, em eventos, quanto nas considerações finais. O Resumo, bem resumido, como se diz, será o seu guia, o norte da sua pesquisa, da sua vida pelos próximos anos. Será a primeira tarefa hoje e depois será a última parte que você lerá, antes da qualificação (defesa). Porque saberá se o resumo, as suas promessas, foram atendidas no decorrer da escrita. Isso aprendi lendo Marx – que começava seus trabalhos pela conclusão, após investigar e refletir muito sobre o tema.
  12. O mestrado não exige originalidade, como ocorre no doutorado, portanto, partes dos trabalhos que venha a apresentar em eventos, artigos publicados, podem/devem ser recuperados, guardados, naqueles quatro arquivos Word (um para cada capítulo). Faça quatro capítulos, é mais dirigente e prático, garantido.
  13. Procure ler, inteirar-se sobre o seu objeto – em suas interfaces, com filmes, literatura, música, se for o caso – todos os dias. Procure ler algo sobre sua pesquisa todo dia e já desenvolva algum texto, nem que seja um parágrafo, cinco linhas, diariamente. Sim, todos os dias! No final, irá nos agradecer.
  14. A regra é: leia todo dia, pesquise todos os dias, pense no objeto e escreva todos os dias. Mesmo que sejam 20 minutos, quando a situação estiver complicada – no ônibus, no Uber, em casa, no intervalo do trabalho. Anote no bloco de notas, no notebook, no caderninho, no celular. Isso é o que chamaria de “viver o objeto”.
  15. Quando ler obras clássicas, referenciais, faça algum tipo de fichamento (segue um modelo neste rodapé[1]), digite separadamente. A ideia aqui é simples também: daqui a 20 anos, quando procurar o sentido da Emancipação em Paulo Freire, ou o que é o Pensamento científico em Morin, você terá as citações prontas, corretas, ao alcance da mão.
  16. Nunca esquecer de que fazer Ciência, pesquisa, colaborar com o pensamento racional e crítico, no Brasil, por si só, é um ato político, de resistência. É parte do nosso dever político/social e institucional retornar à sociedade o financiamento social da própria universidade.
  17. Cuide da saúde mental, o ambiente universitário é tóxico, não se apegue ao ego de quem quer que seja, vigie a própria vaidade. A ambição é natural, necessária, mas o ego deve ser domesticado.
  18. Se assegure se salvar cópias de seus documentos – rascunhos, fichamentos, capítulos/sessões, referências, vídeos, áudios, transcrições, dados –, tenha tudo salvo em pelo menos três fontes separadas. Com a pós-graduação aprendi arduamente que ter tudo salvo vale mais que ter tudo em um único aparelho, ele pode estranhar, ou simplesmente reiniciar o sistema apagando tudo: passei por isso também. Então, mande para seu e-mail, Drive, salve em pendrive, nuvem, HD externo, mas tenha sempre três bases de dados salvas.
  19. Leia mais que apenas artigos e livros para sua pesquisa, faça arte, tenha um hobby[2], cante, dance, faça academia, o que lhe aprouver, a sua saúde mental vai lhe agradecer. Participe das atividades culturais da universidade.
  20. Seja responsável com seus estudos e pesquisa, seu futuro depende apenas de você, e sua pesquisa também.
  21. Tenha, na medida do possível, amizade, camaradagem, com seu/a orientador/a; a pós-graduação é um casamento, às vezes dura 7 anos, e essa parceria é fundamental.
  22. Se atente aos prazos e deveres caso seja bolsista, leia sempre o manual do estudante ou de bolsista quando houver dúvidas.
  23. Use a IA com cuidado e parcimônia, ser pesquisador é produzir conhecimento, é ser capaz de escrever de modo autoral e individual. O uso da IA, embora permitido, legalmente a partir de 2026 deve ser especificado detalhadamente no corpo do trabalho e na metodologia, não é sensato usar ferramentas generativas para criar um texto, nem ético.
  24. Faça um mantra para você, “ler, ler, ler; escrever, escrever, escrever” porque não há Pensamento científico validável sem forte base cultural e massa crítica atuante. Use o tempo gasto com redes antissociais para exercitar o seu mantra.
  25. E por último, seja ético/a, sempre.

 

Fizemos o texto pensando no mestrado, no PPGCTS/UFSCar especificamente, no entanto, pensando bem, algumas sugestões se encaixam em vários momentos de nossas vidas.

[1] https://www.gentedeopiniao.com.br/politica/vinicio-carrilho/fichamento-pedagogia-do-oprimido.

[2] Aqui segue um exemplo: https://www.youtube.com/@MusicalizAI. Acesso em 28/07/2026.

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