sábado, outubro 24, 2026
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PT lança carta a evangélicos, critica manipulação da fé e busca ampliar diálogo com igrejas

O Partido dos Trabalhadores (PT) lançou nesta segunda-feira (8), em Brasília, uma carta aberta direcionada ao público evangélico, em uma iniciativa que busca fortalecer o diálogo com igrejas e fiéis em meio ao cenário eleitoral de 2026.

O documento foi apresentado durante o 4º Encontro Nacional do Núcleo Evangélico do Partido dos Trabalhadores e traz reflexões sobre temas sociais, democracia e ações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pretende disputar a reeleição.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a carta representa um aceno especialmente a setores neopentecostais e procura aproximar valores da fé cristã de pautas defendidas pelo partido.

O texto aborda questões como combate à violência contra a mulher, defesa da democracia, proteção social e enfrentamento da desinformação. Ao mesmo tempo, evita temas que historicamente geram divergências entre parte do eleitorado evangélico e setores da esquerda, como direitos da população LGBTQIA+, questões de gênero e a descriminalização do aborto.

Em um dos trechos centrais, a carta critica o uso político da religião e faz referência a passagens bíblicas dos livros de Isaías, Tiago, Mateus, Efésios e Pedro.

“Rejeitamos toda tentativa de transformar a religião em instrumento de manipulação política, e denunciamos aqueles que usam do Evangelho como negócio”, afirma o documento.

A carta também manifesta preocupação com a disseminação de notícias falsas e discursos de ódio, defendendo que a religião deve ser um instrumento de união social.

“A religião não deve ser utilizada para dividir o povo brasileiro, mas para promover esperança, solidariedade e compromisso com o bem comum”, destaca outro trecho.

Evangélicos e política

O documento ressalta ainda que os evangélicos não constituem um grupo político homogêneo e afirma não ter a intenção de representar todas as denominações religiosas existentes no país. A proposta apresentada pelos organizadores é associar a fé cristã a pautas como justiça social, proteção das populações vulneráveis e reforma agrária.

De acordo com integrantes do núcleo evangélico petista, essas bandeiras estariam alinhadas aos ensinamentos de Jesus e à tradição evangélica.

A aproximação com o eleitorado evangélico é considerada estratégica para o PT. Nas últimas eleições presidenciais, pesquisas de intenção de voto mostraram vantagem recorrente de candidatos ligados ao campo bolsonarista entre os eleitores desse segmento religioso, tornando o grupo um dos maiores desafios eleitorais para a legenda.

Edinho Silva elogia Lula

O encontro realizado na capital federal teve como tema “Mishpat: Fé, Justiça, Democracia e as Eleições 2026”. A palavra “Mishpat”, de origem hebraica, pode ser traduzida como “justiça”.

Durante o evento, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, fez elogios à relação do presidente Lula com a comunidade evangélica.

“O presidente que mais de forma efetiva respeitou a comunidade evangélica foi o presidente Lula. Nenhum presidente fez tanto para reconhecer a comunidade evangélica quanto o presidente”, declarou.

Janja critica Silas Malafaia

Também presente ao encontro, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, criticou o pastor Silas Malafaia, um dos principais apoiadores políticos do ex-presidente Jair Bolsonaro e integrante da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

Ao comentar declarações feitas por Malafaia em redes sociais, Janja respondeu:

“Eu também não chamo ele [Malafaia] de pastor. Ele teve a cara de pau de ir em uma rede social e falou que eu estava conversando com mulheres insignificantes. Insignificante é ele, porque toda mulher para mim é importante.”

A manifestação ocorreu em meio às discussões sobre o papel das lideranças religiosas no debate político nacional e reforçou o tom de confronto adotado por integrantes do governo e do PT em relação a figuras influentes do campo conservador evangélico.

Estratégia para 2026

O lançamento da carta ocorre em um momento de intensificação das articulações políticas visando as eleições presidenciais de 2026. Ao buscar aproximação com lideranças e fiéis evangélicos, o PT tenta reduzir resistências históricas dentro de um dos maiores grupos religiosos do país e ampliar sua presença em um segmento considerado decisivo para o resultado eleitoral.

O documento aposta em temas como democracia, solidariedade, combate à desigualdade e valorização da fé como elementos de convergência entre a atuação política do partido e parte da comunidade evangélica brasileira.

Do Brasil 247
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