@viniciocarrilhomartinez
Para um entendimento mais lógico, coerente e, de certa forma, presumido, entendemos que há uma sequência de eventos para a observação inicial: a acessibilidade é a porta de entrada da inclusão e é a permanência quem assegura os efeitos básicos, imediatos, da acessibilidade. Portanto, há uma sequência lógica a ser observada: acessibilidade – inclusão – permanência. Isso é formalmente lógico.
O desenho universal da acessibilidade (ou do que promova a acessibilidade) começa assim: não é exatamente um passo após o outro; hoje, por exemplo, precisaríamos dar um pulo. Mas, seguramente, é uma rampa de acesso que permite subir degraus diante da exclusão. Sem acessibilidade, a ausência dessa rampa que aniquila a isonomia, da rampa de acesso que traz as mínimas condições de se inserir para participar, vale a regra do “cada um por si”, e, vigorando essa lógica, o vencedor da maratona é quem “dá seus pulos”.
Como vimos, a acessibilidade garante a inclusão e é dependente, ainda mais, das condições de permanência. Condições de permanência que, obviamente, devem ser edificadas (como as muitas rampas de acesso) em conjunto com os meios de inclusão. Do contrário, com acesso, mas em condições negativas, negacionistas da permanência, o caminho de volta, rápido, chama-se exclusão.
Não há pertencimento sem acessibilidade, só há banimento antes do ingresso. Não há pertencimento sem inclusão, pois vigora o entrar e prontamente sair: banimento. Não há acessibilidade e inclusão se impera o banimento (prévio ou posterior). Não há, portanto, acessibilidade e inclusão sem pertencimento. Não há, pela força da lógica, pertencimento se não se impõe a permanência. E não há inclusão se vige a exclusão (programada e presumida).
Na ampla lógica social, no âmago do viver e pensar capitalista – hoje se chama de neocolonialismo e neoliberalismo – só predomina a Lei do mais forte, de quem define quem pode e quem não pode acessar e permanecer. É a Lei do mais forte que, inclusive frequentemente, permite que alguns acessem e até permaneçam; porém, em condições indignas – isto é, tudo funciona como um convite para que se autoexcluam. É importante ter essa clareza porque a dignidade humana está no primeiro e no último estágio dos valores que permitem acessar a Condição Humana.
Este é, basicamente, o desenho universal. A acessibilidade não está limitada a uma rampa de acesso, contudo, sem esta rampa, a acessibilidade não está em lugar nenhum e, assim, também está excluída a dignidade humana. Aqui há um segundo fator, primordial e já presumido, não se acessa a Condição Humana sem acessibilidade, inclusão e permanência.




