quinta-feira, outubro 15, 2026
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O erro de priorizar apenas as redes sociais na comunicação de um político

Por Alessandro Lubiana (*)

 

Comunicação pública exige estratégia multicanal, presença real e conexão com diferentes públicos

Num cenário cada vez mais dominado pelas redes sociais, é compreensível que muitos políticos concentrem esforços nesse ambiente digital. Afinal, trata-se de um canal direto, rápido e com grande poder de alcance. No entanto, restringir a comunicação institucional e pública apenas às plataformas sociais é um erro estratégico que pode custar caro.

A comunicação política vai muito além de likes, curtidas e compartilhamentos. Trata-se de um conjunto articulado de ações que envolvem todos os meios e veículos disponíveis. Cada canal tem sua função, seu alcance específico e sua maneira própria de criar vínculos com o público.

Rádio, televisão, imprensa escrita, boletins informativos, portais oficiais, eventos presenciais, assessoria de imprensa e até a comunicação comunitária — todos esses meios ainda têm espaço e relevância, especialmente em um país de dimensões continentais como o Brasil, onde a realidade das capitais é bem diferente da vivida no interior.

O marketing político, por sua vez, é uma ferramenta indispensável. Ele organiza a mensagem, ajuda a construir imagem e posiciona o político no imaginário social. Mas marketing não é tudo. Quando usado em excesso ou de forma descolada da realidade, pode transformar o político em um produto. E produtos têm prazo de validade.

O eleitor contemporâneo valoriza autenticidade. Quer saber quem é o político por trás do discurso, o que ele pensa, como age fora das câmeras e qual é sua relação com a comunidade que representa. Há uma busca pelo real, pelo humano — algo que o marketing sozinho não é capaz de oferecer.

É preciso equilíbrio. Uma comunicação eficaz é aquela que combina o alcance das redes sociais com a credibilidade da imprensa tradicional, a presença nos territórios com escuta ativa e ações concretas, e o discurso estratégico com coerência entre fala e prática.

Mais do que se comunicar, é preciso construir confiança. E essa se conquista com presença constante, responsabilidade institucional e, principalmente, verdade.

Fica a dica:

  1. Por que só as redes sociais não sustentam a imagem de um político
  2. A armadilha da comunicação digital exclusiva na política
  3. Redes sociais não bastam: o erro estratégico de muitos políticos
  4. Comunicação pública exige mais do que presença digital
  5. Político ou produto? Os limites do marketing nas redes
  6. Marketing demais estraga o político
  7. Político embalado não convence o eleitor
  8. O político que só aparece no Instagram já perdeu
  9. Redes sociais não elegem sozinhas — nem mantêm mandatos
  10. Quem só fala nas redes, deixa de ouvir nas ruas

Vamos refletir sobre esse assunto nas próximas colunas.

(*) Alessandro Lubiana, jornalista e especialista em Comunicação Institucional e Pública

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