quarta-feira, março 11, 2026
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Educação Política

 

Vinício Carrilho Martinez (Dr.) – Cientista Social

Em primeiro lugar, temos que verificar que sempre se trata de uma Autoeducação Política. Parte-se do entendimento de que sem a predisposição individual não há formação, avanços e transformação; não se manifesta um conteúdo político sem estudar. Como faremos isso pode/deve ser de formas múltiplas, em coletivos, grupos de estudos, leituras e reflexões individuais (autodidatismo). O trabalho produzido coletivamente não nos exime do nosso empenho e embate político. Porém, agora nos dedicaremos ao “que fazer”, no que diz respeito a algumas áreas, conexões e conteúdos mínimos:

  • A primeira questão, por natureza óbvia, nos levaria a abarcar o que ainda está presente, em 2025, e que decorre de nossa formação social: como se articulam classe, racismo (etnias, cultura) e gênero? [1]
  • As relações de classe e de sujeição são evidentes quando vemos a uberização social, a pejotização, a terceirização, e isso nos remete às excrescências do estágio atual do capitalismo – e que chamamos de Pensamento Escravista[2].
  • A política, diferentemente do século XX, hoje percorre (antes) as vias de comunicação digital (denominadas aqui de redes antissociais) e, só depois, encontra alguma ressonância nas ruas, no espaço público. No entanto, não há democracia digital ou Pólis e, sem a Política, temos um enorme paradoxo: uma educação digital se faz obrigatória. Destacam-se dois conteúdos elementares: O que são e como funcionam os algoritmos? Como participar de um meio anticivilizatório em busca do resgate, aprimoramento do próprio Princípio Civilizatório?
  • Os principais conteúdos a analisar dessa forma atual do capital seriam lincados ao que se denomina de rentismo e de Capitalismo de Dados, bem como o comportamento de massa associado: o “servilismo voluntário”.
  • Nessas redes sociais excludentes, aptas tecnologicamente à exclusão e ao banimento (Banóptico em substituição ao panóptico), as mensagens são racistas, misóginas, fascistas, antipopulares e capitalistas. Neste ponto destacamos a urgência em estudarmos o básico (o que é Fascismo?) e o meio ambiente: se considerarmos que o negacionismo ambiental é um dos mais presentes, teremos o enlace com a Educação ambiental.
  • Por se tratarem de assuntos convergentes ao capitalismo predominante, com suas artimanhas de captura individual e social, como substratos do neocolonialismo, neoliberalismo, neofascismo, teríamos que dedicar ensaios a uma Autoeducação para a descompressão. Os itens aqui em destaque seriam formas de combate ao ensino religioso, educação financeira e ensino militarizado, e como são impostos nas escolas públicas. Em sua oposição teriam destaque a ideia de “ordem democrática” (Estado Constitucional) e de Estado Laico.
  • Adentraríamos em alguns detalhes dessa Autoeducação para a descompressão[3].
  • Essa Educação Política (pública) tem base humanista na Sociologia, Filosofia e Teoria Política e, obviamente, não é antitecnológica. Nos permitiria entender que a tecnologia é um meio, e não um fim, além de ofertar uma compreensão crítica acerca do fato de que “o Brasil se digitalizou, antes de se alfabetizar”.
  • Portanto, teria seu lastro no conjunto complexo dos Direitos Humanos e no aporte necessário a uma Educação Constitucional.
  • Essa Educação Política se completaria com ações vinculadas a organismos, movimentos, entidades, associações de representação, sindical e partidos políticos populares[4].

 

Pelo arrazoado, não é difícil de se perceber que se tem o norte de uma práxis (reflexão e ação) e que não se esgota no ambiente escolar, ao mesmo tempo que dele não se desincumbe. Seria preciso entender a dinâmica entre escola, casa e rua (esta como espaço público de construção dos sujeitos individuais e sociais). E assim chegamos à Educação Permanente, entendendo-se que é um processo sem fim, que é parte da hominização com os meios dispostos no século XXI.

[1] O exemplo parte do porquê o movimento “por uma mulher negra no STF” não ter vingado junto ao governo.

[2] O racismo lancinante e associado à exploração do trabalho em condições análogas à escravidão.

[3] Iniciando-se por uma construção que desfaça o antissemitismo, tanto quanto o sionismo, uma Educação após Auschwitz, e depois de Gaza, e que espelhasse uma Educação para além do capital.

[4] Neste ponto se imporia basilar entender as diferenças e as correlações entre Estado, partido político e governo.

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