sexta-feira, setembro 25, 2026
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Indústria brasileira cresce 3,1% em 2024, impulsionada por consumo das famílias e aumento do emprego

Resultado anual é o terceiro mais elevado dos últimos 15 anos

O setor industrial brasileiro cresceu 3,1% em 2024, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta quarta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado anual é o terceiro mais elevado dos últimos 15 anos, ficando atrás apenas de 2010, quando a indústria registrou alta de 10,2%, e de 2021, com avanço de 3,9% no contexto de recuperação da pandemia.

O crescimento foi disseminado entre os segmentos industriais, com quatro grandes categorias econômicas e 20 dos 25 ramos apresentando expansão. “De modo geral, o crescimento do setor industrial em 2024 pode ser entendido a partir de alguns fatores, como o maior número de pessoas incorporadas pelo mercado de trabalho, a queda na taxa de desocupação, o aumento na massa de salários e o incremento no consumo das famílias, beneficiado pelos estímulos fiscais, maior renda e a evolução na concessão do crédito”, explicou André Macedo, gerente da PIM.

Entre os setores que mais contribuíram para o resultado positivo estão a produção de veículos automotores, reboques e carrocerias (12,5%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (14,7%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (12,2%), produtos alimentícios (1,5%) e produtos químicos (3,3%).

Apesar do desempenho favorável ao longo do ano, os últimos três meses de 2024 registraram retração, com queda acumulada de 1,2%. Em outubro, a indústria teve variação negativa de 0,2%, seguida por recuos de 0,7% em novembro e 0,3% em dezembro. “Essa perda de dinamismo da indústria no último trimestre guarda relação com a redução nos níveis de confiança das famílias e dos empresários, explicada, em grande parte, pelo aperto na política monetária, com o aumento das taxas de juros a partir de setembro de 2024, a depreciação cambial, impactando os custos, e a alta da inflação, especialmente de alimentos”, analisou Macedo.

Desempenho de dezembro

Em dezembro, a produção industrial recuou 0,3%, marcando o terceiro mês seguido de queda. Ainda assim, o setor está 1,3% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas continua 15,6% abaixo do recorde histórico de maio de 2011.

A maior influência negativa no mês veio do setor de máquinas e equipamentos, que registrou queda de 3%, interrompendo dois meses seguidos de crescimento. Produtos de borracha e material plástico também tiveram retração de 2,5%, acumulando dois meses de perdas. No índice de média móvel trimestral, o setor de bens de consumo semi e não duráveis apresentou o pior desempenho, com queda de 1,8% no último trimestre do ano.

Por outro lado, indústrias extrativas e o setor de bebidas tiveram desempenho positivo em dezembro. “Foram dois dos poucos segmentos que cresceram no mês. As indústrias extrativas registraram o segundo avanço consecutivo, enquanto o ramo de bebidas interrompeu quatro meses seguidos de retração”, destacou Macedo.

O desempenho da indústria em 2024 confirma uma retomada da atividade, mas a desaceleração no final do ano acende um alerta sobre os desafios econômicos que podem impactar a produção nos próximos meses.

Brasil 247

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