terça-feira, março 31, 2026
spot_img
spot_img

Coluna Zona Franca

PEC da bandidagem

A aprovação da PEC da Blindagem no primeiro turno significa muito mais do que uma mudança regimental. Ela expressa o projeto de transformar o Parlamento em uma casta corporativa acima da lei, onde deputados e presidentes de partidos se protegem em corpo fechado e deixam de responder como cidadãos comuns. O que está em disputa é a essência da democracia: a igualdade de todos perante a lei e o direito da sociedade de fiscalizar seus representantes. Ao escolherem a blindagem, parte dos parlamentares reafirma uma lógica histórica no Brasil — a de elites políticas que se preservam em detrimento do povo. A vitória no primeiro turno revela a força desse interesse corporativo. Mas também deixa claro qual será a linha divisória da história: de um lado, os que querem transformar a política em abrigo de impunidade; de outro, os que resistem para que a democracia não seja sequestrada por uma casta. (Erika Kokay)

A chamada PEC da Blindagem (bandidagem), é uma Proposta de Emenda à Constituição que dificulta a abertura de processos judiciais contra parlamentares. O placar foi de 353 a 134 no primeiro turno e 344 a 133 no segundo. Congressistas continuam a ser julgados exclusivamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e a prisão só poderá ocorrer em flagrante de crimes inafiançáveis, como racismo, tortura, terrorismo ou tráfico de drogas. Nesses casos, os autos devem ser enviados em até 24 horas ao STF e à Casa Legislativa, que decidirá, por maioria absoluta, se mantém a prisão. Se a licença for negada, a detenção fica suspensa enquanto durar o mandato. A justificativa é retomar o modelo adotado pela Constituição de 1988, mas os deputados ampliaram o leque de proteção, incluindo a extensão aos presidentes de partido do foro privilegiado no STF e a votação secreta para autorizar a prisão de parlamentares. Um destaque, aprovado na madrugada, derrubou o voto secreto também para permitir a abertura de processo.  Confira como votou cada deputado nos dois turnos. (Poder360) e (g1)

PEC da bandidagem 4

A PEC da Blindagem, entretanto, pode não ir muito longe. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), garantiu nesta terça-feira que a PEC da blindagem “não passará no Senado de jeito nenhum”. Alencar criticou a proposta e destacou sua impopularidade, ressaltando que a aprovação seria difícil às vésperas de um ano eleitoral. Segundo Míriam Leitão, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) foi na mesma linha. “Não há 49 senadores dispostos a colocar a digital nisso”, disse. Mas as pressões são grandes. Entre os possíveis beneficiados pela PEC estão os deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP), investigado por tentar obstruir o julgamento do pai, e Elmar Nascimento (União-BA), suspeito de desvio de emendas parlamentares. (g1 e Globo)

PEC da bandidagem 5

A nova versão do projeto da PEC da Blindagem cria brechas para ampliar o foro privilegiado de deputados e senadores e introduz proteção também na esfera cível, impedindo juízes de instâncias inferiores de bloquear bens ou salários de congressistas suspeitos de corrupção. Essa é uma blindagem maior do que a vigente até 2001, derrubada pelo Congresso na época devido ao histórico de impunidade de parlamentares envolvidos em irregularidades. (Folha)

PEC da bandidagem 6

Orlando

Sem anistia

Sem conseguir aprovar um projeto de anistia ampla, a oposição busca alternativas para evitar a perda de mandato do deputado Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde março. A mais recente foi sua nomeação como líder da minoria na Câmara. Aliados argumentam que líderes de bancadas podem ter ausências abonadas quando em missão oficial no exterior. A licença de Eduardo expirou em agosto e, desde então, suas faltas vêm sendo contabilizadas. Pelo regimento da Casa, o parlamentar que se ausenta em mais de um terço das sessões pode perder o mandato. (CNN Brasil)

Brasileiros apoiam BRICS

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (17) revela que a maioria dos brasileiros aprova a defesa da aliança comercial do Brasil com os países do BRICS. Segundo os dados, 53% consideram correta a posição do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto 29% a desaprovam e 18% não souberam ou preferiram não responder. O levantamento, conduzido pela Quaest e divulgado pelo diretor Felipe Nunes em suas redes sociais, também aponta que 64% apoiam a ênfase do governo na soberania nacional frente aos Estados Unidos.

Bolsonaro internado

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi internado na tarde desta terça-feira em um hospital de Brasília após crise de soluços, vômitos e queda de pressão. Segundo a defesa, ele precisou de atendimento emergencial. Médicos de São Paulo que o acompanham viajaram à capital para avaliar seu estado de saúde. Bolsonaro passou a noite internado no hospital DF Star e ainda não há previsão de alta. (g1)

Possibilidade de fuga 

Está sim em curso uma operação pra “retirar” Bolsonaro do Brasil. Basta a gente imaginar o que eles devem estar pensando e arquitetando nas reuniões secretas. Uma fuga hospitalar é a cara da mentalidade bolsonarista e trumpista.

Pesquisa Genial/Quaest

O Brasil passou por uma tentativa de golpe de Estado na opinião de 55% dos entrevistados na pesquisa Genial/Quaest divulgada há pouco. Além disso, 54% avaliam que Jair Bolsonaro participou da trama golpista. Segundo o levantamento (íntegra), entretanto, 49% consideraram exagerada a pena de 27 anos e três meses de prisão imposta ao ex-presidente, contra 35% que a veem como justa e 12% para as quais foi branda. Já a avaliação do governo Lula ficou estável mês passado: 51% de desaprovação, 46% de aprovação, enquanto 3% que não souberam responder. Outra pesquisa Genial/Quaest (íntegra), divulgada na terça-feira, mostra que a proposta de anistia divide o país: 41% são contra qualquer espécie de perdão aos golpistas, 36% apoiam benefício que inclua Bolsonaro e 10% querem que a medida só atinja os participantes dos atos de 8 de janeiro de 2023. (Meio)

Israel cometeu genocídio

Uma investigação independente da ONU concluiu que Israel cometeu genocídio contra palestinos em Gaza e que líderes israelenses incitam o crime. O relatório, elaborado pelo Conselho de Direitos Humanos, classificou a conclusão como a “constatação mais contundente já feita pela ONU”. A comissão aponta quatro atos genocidas desde 7 de outubro de 2023: assassinatos de palestinos, imposição de sofrimento físico e mental, criação de condições de vida voltadas à destruição parcial ou total do grupo e medidas para impedir nascimentos. Enquanto o relatório era divulgado, forças israelenses lançaram novos ataques terrestres contra o que restou da cidade de Gaza, forçando dezenas de milhares a fugir novamente para o sul do enclave. Mais de 100 pessoas morreram nesta terça-feira. (CNN)

Pena de morte

Promotores americanos anunciaram que vão pedir a pena de morte para Tyler Robinson, de 22 anos, acusado de assassinar o ativista político de extrema direita Charlie Kirk. Segundo a acusação, o crime foi planejado dias antes, e o próprio Robinson revelou a motivação em mensagens enviadas a familiares e amigos. Em testos reproduzidos na denúncia, Robinson disse que pretendia manter o ataque em segredo “até morrer de velhice” e justificou a ação afirmando: “Alguns ódios não podem ser negociados.” (New York Times)

Extrema direita

O assassinato de Charlie Kirk expõe muito mais do que a tragédia em si: revela um ecossistema de radicalização difusa, em que símbolos contraditórios, ironia e violência digital se misturam. O que já se sabe sobre o atirador Tyler Robinson e a forma como a extrema direita explora politicamente o caso ressaltam por que entender esse episódio é crucial para repensarmos a necessidade de lideranças mais responsáveis. A análise de Flávia Tavares no Cá entre Nós. (YouTube)

O Julgamento do Século

A democracia brasileiranunca foi garantida: foi construída, conquistada e, recentemente, desafiada. Pela primeira vez, os responsáveis por uma tentativa de golpe enfrentam consequências reais. Para impedir que isso se repita no futuro, é preciso conhecer a história. O Julgamento do Século, documentário original do Meio, mostra com precisão e clareza como a trama golpista se desenrolou e suas consequências. Assista agora em nosso streaming.

 Camada de ozônio

Responsável por proteger a Terra da radiação solar ultravioleta, a camada de ozônio apresentou sinais robustos de recuperação no ano passado, disse a Organização Meteorológica Mundial (OMM) nesta terça-feira. Os dados sugerem que o buraco observado sobre a Antártida foi menor do que a média registrada entre 2003 e 2022, com alguns dos níveis mais altos de ozônio em décadas. Desde a adoção da Convenção de Viena e do Protocolo de Montreal, há quatro décadas, o uso de clorofluorocarbonos (CFCs) caiu rapidamente em todo o mundo, sendo que mais de 99% das substâncias nocivas à camada foram eliminadas. (g1)

Breakfast

Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política do Brasil e do mundo.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político,  com informações do Canal Meio

Informações para a coluna:  rk@ademocracia.com.br

Leia a versão Rondônia:

Coluna Zona Franca

Compartilhe

Related Articles

- Advertisement -spot_img

Colunas

“Flávio é corrupto na essência”, diz profundo conhecedor do bolsonarismo

O ex-deputado federal Julian Lemos afirmou acreditar no levantamento da AtlasIntel divulgado na quarta-feira (25), que pela primeira vez aponta o senador Flávio Bolsonaro...

BRASIL COMUNISTA Uma crônica de Uber

  @viniciocarrilhomartinez   Hoje, voltando da universidade, puxei conversa com um Uber venezuelano, esse motorista de aplicativo sem direito algum, sem segurança, sem esperança, sem tempo para...

Cidadão Honorário de Rondônia, Nelson Willians pede dinheiro a Mendonça pra pagar impostos

O Cidadão Honorário de Rondônia, advogado Nelson Wilians, afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que enfrenta um cenário que classificou como “deveras calamitoso” depois...

EDUCAÇÃO OMNILATERAL A IA e a Guerra Temporal

   @viniciocarrilhomartinez Ester Dias da Silva Batista – licenciada em Biologia/UFSCar Izabela Victória Pereira – estudante de Filosofia/UFSCar   Essa Guerra Temporal não é uma Viagem no Tempo, é...

Pressionado e isolado, Trump recua e suspende ataques ao Irã

Presidente dos Estados Unidos relatou “conversas muito boas e produtivas” com Teerã nos últimos dois dias O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que...