sábado, janeiro 17, 2026
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Sabíamos mas, não agimos…

Por Ana Calorina Oliveira de Andrade (*)

A verdade perde pra mentira na política. Não porque ela esteja errada. Mas porque ela é… tímida. Ela demora pra aparecer, fala difícil e quando chega já tem três fake news circulando no grupo da família.

Enquanto isso, a mentira chega cedo, de chinelo, com áudio de dois minutos e legenda em caixa alta: “URGENTE!!! Veja o que eles não querem que você saiba!!!”

Em 2018, a direita prometeu “acabar com tudo isso aí” e conseguiu: acabou com o decoro, com o diálogo, com a compostura e, por pouco, quase levou junto a democracia.
Em 2022, vieram com a segunda temporada: Pix ia acabar, igreja ia ser fechada, criança ia receber mamadeira com ideologia. E teve quem acreditou. De novo.
A mentira se reinventou em forma de dancinha, vídeo curto e voz de robô apocalíptico.

E qual foi a resposta progressista?
Uma nota oficial, uma thread no Twitter e, claro, o velho bordão: “O bem vence o mal.”
Fofo. Mas na urna, não cola.

A extrema-direita não tem medo de ser ridícula. A esquerda, às vezes, tem medo de parecer firme. Fica preocupada em não ofender enquanto o outro lado tá organizando motociata com pauta golpista.

Porque se a gente seguir respondendo fake news com textão, ataque com afeto, e desinformação com silêncio, em breve vai ter gente votando com medo de uma terceira temporada da mamadeira mística e a gente assistindo, calado, tomando chá da tarde com Paulo Freire. Mas, vamos falar sério. Até Paulo Freire ficaria impaciente. Ele nunca defendeu uma pedagogia da omissão.

Ele ensinou que a educação liberta, sim mas só quando se posiciona. Quando é crítica. Quando enfrenta a opressão com clareza, firmeza e coragem. O problema não é citar Freire. É usá-lo como se fosse um mantra de paz interior, e não uma arma política.

A direita entendeu a regra do jogo. Sabe gritar, simplificar e manipular com uma agilidade que a esquerda ainda trata com desdém. A extrema-direita não tem medo de parecer grotesca. E a esquerda, às vezes, tem medo de parecer enfática. Enquanto a gente analisa, eles já postaram o vídeo. Enquanto a gente reflete, eles já elegeram o próximo.

A democracia não é negociável. Mas também não é garantida. E se a verdade continuar educada demais, com medo de disputar espaço, vai continuar perdendo com dignidade, sim. Mas perdendo.

Paulo Freire dizia: “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua produção ou a sua construção.” Então sejamos honestos: quem está construindo sentido hoje? Quem está ocupando as mentes e corações do povo com estratégia, presença e linguagem direta? A direita, com todas as suas mentiras. E a gente, ainda esperando que a consciência brote sozinha.

Ou a gente aprende a disputar narrativas com coragem, ou a história vai nos colocar como os que sabiam, mas não agiram.

(*) Ana Calorina Oliveira de Andrade
Acadêmica de Pedagogia – Universidade Federal de Rondônia (UNIR)
Aluna da escola Fé e Política – Diocese Ji-Paraná.
Urupá-RO, 1⁰.09.25

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1 COMENTÁRIO

  1. Só confirma que minha avaliação foi certíssima: Ana Calorina tem vocação para escrever com uma originalidade ímpar, e como professora dela, só posso felicitá-la e dizer: fé no seu taco e SIGA EM FRENTE!

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