quarta-feira, junho 10, 2026
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Trump cita o Brasil ao defender novas tarifas contra países que taxam os EUA

Presidente americano anuncia medidas protecionistas e reforça discurso nacionalista em pronunciamento ao Congresso

Em discurso ao Congresso dos Estados Unidos na madrugada desta quarta-feira (4), o presidente Donald Trump anunciou novas tarifas contra países que impõem tributação sobre produtos americanos. Durante sua fala, ele mencionou o Brasil entre as nações que, segundo ele, cobram “tarifas imensas” dos Estados Unidos. “Muitos países usam tarifas contra nós há décadas, nós começaremos a usar contra eles”, declarou Trump, citando especificamente União Europeia, China, Brasil, Índia, México e Canadá, além de outras nações. Ele afirmou que as novas taxas entrarão em vigor a partir de 2 de abril. “Aquilo que qualquer país nos tributarem, nós tributaremos de volta”, disse o presidente, segundo reportagem do Valor.

Trump justificou a medida como parte de sua política de proteção à economia americana e reiterou sua visão de que os EUA foram “roubados por décadas” em relação ao comércio internacional. “E não vamos deixar que isso aconteça mais”, enfatizou.

Nos últimos dias, Washington anunciou tarifas sobre produtos como aço, alumínio e etanol, o que afeta diretamente o Brasil. O etanol brasileiro entra no mercado americano com tarifas mais baixas do que as cobradas no Brasil sobre o etanol dos EUA, algo que Trump classificou como uma desvantagem para os produtores americanos.

A política tarifária da administração Trump tem gerado forte reação internacional, com promessas de retaliação por parte de países afetados. Economistas alertam para os riscos de uma escalada protecionista que pode prejudicar o comércio global. “Pode ter um período meio complicado, mas vai dar tudo certo”, disse Trump, minimizando os impactos negativos.

O discurso no Congresso foi o primeiro de Trump desde sua posse para o novo mandato. No pronunciamento, ele fez um balanço autoelogioso dos primeiros 40 dias de governo, destacando a adoção de medidas como maior rigor nas fronteiras, cortes em regras de inclusão e a retirada dos EUA de organizações internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Comissão de Direitos Humanos da ONU e o Acordo de Paris sobre o clima.

Trump também celebrou a redução no número de travessias ilegais na fronteira sul dos EUA, que em fevereiro registrou menos de 9 mil prisões, o menor número desde a década de 1980. “Eles ouviram minhas palavras e escolheram não vir. Muito mais fácil assim”, declarou.

O presidente ainda defendeu cortes de gastos do governo federal e insinuou que houve fraudes na administração de seu antecessor, Joe Biden. Segundo ele, a redução desses gastos ajudará a equilibrar o orçamento e a conter a inflação, reforçando sua promessa de um governo financeiramente mais eficiente.

Embora o pronunciamento tenha seguido o modelo dos tradicionais discursos do Estado da União, que são feitos anualmente pelos presidentes americanos, ele não teve esse caráter por ser o primeiro no ano da posse.

Brasil 247

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